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domingo, 2 de outubro de 2011

Estamos com fome de amor


Uma vez Renato Russo disse com uma sabedoria ímpar: "Digam o que disserem, o mal do século é a solidão". Pretensiosamente digo que assino embaixo sem dúvida alguma. Parem pra notar, os sinais estão batendo em nossa cara todos os dias.

Baladas recheadas de garotas lindas, com roupas cada vez mais micros e transparentes, danças e poses em closes ginecológicos, chegam sozinhas. E saem sozinhas. Empresários, advogados, engenheiros que estudaram, trabalharam, alcançaram sucesso profissional e, sozinhos.

Tem mulher contratando homem para dançar com elas em bailes, os novíssimos "personal dance", incrível. E não é só sexo não, se fosse, era resolvido fácil, alguém duvida?

Estamos é com carência de passear de mãos dadas, dar e receber carinho sem necessariamente ter que depois mostrar performances dignas de um atleta olímpico, fazer um jantar pra quem você gosta e depois saber que vão "apenas" dormir abraçados, sabe, essas coisas simples que perdemos nessa marcha de uma evolução cega.

Pode fazer tudo, desde que não interrompa a carreira, a produção. Tornamo-nos máquinas e agora estamos desesperados por não saber como voltar a "sentir", só isso, algo tão simples que a cada dia fica tão distante de nós.

Quem duvida do que estou dizendo, dá uma olhada no site de relacionamentos Orkut, o número que comunidades como: "Quero um amor pra vida toda!", "Eu sou pra casar!" até a desesperançada "Nasci pra ser sozinho!".

Unindo milhares, ou melhor, milhões de solitários em meio a uma multidão de rostos cada vez mais estranhos, plásticos, quase etéreos e inacessíveis.

Vivemos cada vez mais tempo, retardamos o envelhecimento e estamos a cada dia mais belos e mais sozinhos. Sei que estou parecendo o solteirão infeliz, mas pelo contrário, pra chegar a escrever essas bobagens (mais que verdadeiras) é preciso encarar os fantasmas de frente e aceitar essa verdade de cara limpa. Todo mundo quer ter alguém ao seu lado, mas hoje em dia é feio, démodé, brega.

Alô gente! Felicidade, amor, todas essas emoções nos fazem parecer ridículos, abobalhados, e daí? Seja ridículo, não seja frustrado, "pague mico", saia gritando e falando bobagens, você vai descobrir mais cedo ou mais tarde que o tempo pra ser feliz é curto, e cada instante que vai embora não volta.

Mais (estou muito brega!), aquela pessoa que passou hoje por você na rua, talvez nunca mais volte a vê-la, quem sabe ali estivesse à oportunidade de um sorriso a dois.

Quem disse que ser adulto é ser ranzinza? Um ditado tibetano diz que se um problema é grande demais, não pense nele e se ele é pequeno demais, pra quê pensar nele. Dá pra ser um homem de negócios e tomar iogurte com o dedo ou uma advogada de sucesso que adora rir de si mesma por ser estabanada; o que realmente não dá é continuarmos achando que viver é out, que o vento não pode desmanchar o nosso cabelo ou que eu não posso me aventurar a dizer pra alguém: "vamos ter bons e maus momentos e uma hora ou outra, um dos dois ou quem sabe os dois, vão querer pular fora, mas se eu não pedir que fique comigo, tenho certeza de que vou me arrepender pelo resto da vida".

Antes idiota que infeliz!

(Arnaldo Jabor)

2 comentários:

  1. quero continuar sendo ridícula para o resto da vida,porque amar é muito bom. assino em baixo também. um grande abraço

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  2. Sinceramente não sei mais o que pensar, ao ler este texto lindo do Arnaldo eu penso: "Será que existe algum homem que queira um relacionamento assim?" Simples, olho no olho, sexo com amor, respeito, diálogo, compreensão, andar de mãos dadas, ir ao cinema" Sabe eu que nem sou tão romântica assim sinto falta e estou esperando este homem, porque isso é o que a vida tem de melhor, tudo com sinceridade, sem jogos. Há 10 anos eu falei tudo isso para um rapaz que conheci numa viagem que só tinham jovens solteiros, um querendo pegar o outro. Eu não peguei ninguém e ninguém me pegou, mas fiquei de olho neste rapaz e no decorrer da viagem depois de muitos papos no meio do grupo eu disse : Estou a procura de um homem que queira andar de mãos dadas no shopping, alguém que eu possa preparar um macarrão no domingo, um homem que me mande flores, que faça sexo com amor. Depois trocamos telefones e namoramos por 5 anos. Confesso que não estou descrente, mas sinto que cada vez menos os homens estão com este pensamento. Alguns que eu conheço estão muito preocupados com a carreira profissional, achando que tem muito tempo pela frente para se envolver desta forma com uma mulher e assim ficam com todas e outros já passaram por um casamento e não estão desiludidos, mas sei lá talvez tenham medo de perder essa tal liberdade. Eu acredito no amor!!! :-)

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