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quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Terceirizamos a vida!


A terceirização é uma prática, que começou a ser estabelecida há algumas décadas. Por motivos, principalmente fiscais e trabalhistas, ela logo ganhou força no mundo corporativo. O que não imaginávamos é que levaríamos esse modelo empresarial para dentro de nossas casas.

Nas relações amorosas, as pessoas começaram a pensar: porque depositar tudo em cima só de uma pessoa, que não conseguirá suprir integralmente o que preciso? O bom mesmo seria terceirizar o amor e ter vários “prestadores de serviços” para funcionar em áreas distintas das suas vidas. Os “deliverys” que são rápidos, intensos, e se vive tudo numa noite só.

Com as emoções oriundas das dificuldades da vida, não foi diferente. Entupimos consultórios psiquiátricos para resolvermos qualquer instabilidade emocional, pois as pessoas não querem mais lidar sozinhas com suas frustrações.

Nem a amizade escapou, ou os mais 100 amigos que desfrutam de sua intimidade no Orkut e no Facebook, são afetivamente ligados a você? Os “tecle” amigos virtuais, que estão lá e mesmo que não os conheçamos verdadeiramente, nos dão a sensação de que não estamos sozinhos.

E por obvio, a terceirização chegaria aos filhos. Atribuímos à educação de nossos rebentos, aos mais diversos tipos de pessoas sem que saibamos de onde vieram, qual a sua formação pessoal e intelectual. Repassamos nossas responsabilidades às escolas ou creches, os transbordamos de atividades extracurriculares, jogos eletrônicos, TV a cabo e internet, os deixando a mercê da sorte, porque não temos mais tempo para lhes dedicar.

Claro que muitas famílias são “levadas” a tomar esta atitude, em decorrência das separações dos casais, problemas financeiros, mas também existem pessoas que dão prioridade a suas carreiras por simples vaidade e ambição desmedida, abrindo mão dos seus filhos.

Mas será que adianta se matar trabalhando, economizar dinheiro para os estudos do filho, e quando chegar a hora eles não corresponderão por ter vivido uma infância e uma adolescência de ausência e de uma educação facetada por diversas pessoas diferentes de uma formação familiar?

Mudar algumas coisas em nossas vidas faz parte da evolução e é extremamente necessário, mas penso que transformamos o remédio em veneno, felicidade em insatisfação, praticidade em culpa, modernidade em vazio.

Assim deixamos de sermos os protagonistas de nossas realizações e desejos, e estamos compensando o fracasso da dinâmica familiar, da falta de amor e cumplicidade, por uma postura individualista e materialista.

E é assim que vamos terceirizando nossos problemas e nossa felicidade. E, por conseguinte, as responsabilidades e as soluções. 

Pensar se faz necessário.

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