Total de visitas

segunda-feira, 21 de março de 2011

Queremos Tudo... Podemos Ficar Sem Nada.



A sociedade moderna cada vez mais voltada ao consumo, esta fazendo as pessoas interpretarem que relações interpessoais seguem as mesmas regras.

Por conta da velocidade de informação, da Internet, e da televisão, valores tradicionais são colocados diariamente em xeque, e os costumes estão cada vez mais liberais. A educação baseada na rigidez é considerada das cavernas, os jovens experimentam sexo cada vez mais cedo, tabus caem como um de castelo de cartas, e nada mais parece ser errado nos dias atuais.

Tornamo-nos pidões constantes, consumistas fervorosos, e insaciáveis perseguidores da liberdade desenfreada e sem limites. Transformamo-nos em vítimas e vilões da nova cultura do O importante é ser feliz!

Por que existem milhões de mercadorias disponíveis para aquisição, o ser humano acredita que pode fazer o mesmo com as pessoas que se relaciona. Como se pudéssemos pegar em qualquer prateleira 200 g de companheirismo, 1 litro de cumplicidade, ou 1 Kg de lealdade. O que ganhamos? Aumento dos problemas psicológicos, como depressão e ansiedade.

O mundo sempre foi parametrizado por fortes protocolos de conduta, e ao vermos eles, caírem diariamente, é normal que tenhamos sérias dificuldades de entender, depurar e seguir o melhor caminho. As pessoas não estavam preparadas para tantas mudanças de comportamento, e todos estão pagando um preço muito alto por conta disso.

A troca constante de parceiros, por exemplo, deixa um vazio e uma insatisfação para nós, nossos filhos, e nossas famílias, por que relações sem profundidade não trazem aprendizado ou contribuem para nosso amadurecimento e evolução. Em clima de futilidade não se firma afeição, e ao sinal de qualquer dificuldade o rompimento surge como uma opção simples e fácil, tornando-nos pessoas descartáveis.

Somos apenas mais um “bem” de consumo. Estragou, ficou velho ou apareceu algo mais moderno... Basta substituir.

A procura da felicidade nas relações não amadureceu. Penso que existe um processo de infantilização, e até pessoas mais experientes e maduras estão confusas, agindo como colegiais antes do primeiro beijo.

Mas de leviandade em leviandade vamos aprimorando nosso egoísmo, nossa frieza e nossa amargura, contribuindo para a formação da legião de corpos sem alma e sem essência.

A passos largos caminhamos para sermos iguais em atitudes irresponsáveis, egoísmo exacerbado e vida construída sem nenhum legado. 

Os bons exemplos de vida estão aí... Ainda não desapareceram. O que falta para os elevarmos ao patamar que eles merecem?

Pensar se faz necessário.

3 comentários:

  1. Interrompendo as Buscas

    ASSISTINDO AO ÓTIMO "CLOSER - Perto demais", me veio à lembrança um poema chamado "Salvação", de Nei Duclós, que tem um verso bonito que diz: "Nenhuma pessoa é lugar de repouso". Volta e meia este verso me persegue, e ele caiu como uma luva para a história que eu acompanhava dentro do cinema, em que quatro pessoas relacionam-se entre si e nunca se dão por satisfeitas, seguindo sempre em busca de algo que não sabem exatamente o que é. Não há interação com outros personagens ou com as questões banais da vida. É uma egotrip que não permite avanço, que não encontra uma saída - o que é irônico, pois o maior medo dos quatro é justamente a paralisia, precisam estar sempre em movimento. Eles certamente assinariam embaixo: nenhuma pessoa é lugar de repouso.

    Apesar dos diálogos divertidos, é um filme triste, seco. Uma mirada microscópica sobre o que o terceiro milênio tem a nos oferecer: um amplo leque de opções sexuais e descompromisso total com a eternidade - nada foi feito pra durar. Quem não estiver feliz, é só fazer a mala e bater a porta. Relações mais honestas, mais práticas e mais excitantes. Deveria parecer o paraíso, mas o fato é que saímos do cinema com um gosto amargo na boca.

    Com o tempo, nos tornamos pessoas maduras, aprendemos a lidar com as nossas perdas e já não temos tantas ilusões. Sabemos que não iremos encontrar uma pessoa que, sozinha, conseguirá corresponder 100% a todas as nossas expectativas sexuais, afetivas e intelectuais. Os que não se conformam com isso adotam o rodízio e aproveitam a vida. Que bom, que maravilha, então deveriam sofrer menos, não? O problema é que ninguém é tão maduro a ponto de abrir mão do que lhe restou de inocência. Ainda dói trocar o romantismo pelo ceticismo, ainda guardamos resquícios dos contos de fada. Mesmo a vida lá fora flertando descaradamente conosco, nos seduzindo com propostas tipo "leve dois, pague um", também nos parece tentadora a idéia de contrariar o verso de Duclós e encontrar alguém que acalme nossa histeria e nos faça interromper as buscas.

    Não há nada de errado em curtir a mansidão de um relacionamento que já não é apaixonante, mas que oferece em troca a benção da intimidade e do silêncio compartilhado, sem ninguém mais precisar se preocupar em mentir ou dizer a verdade. Quando se está há muitos anos com a mesma pessoa, há grande chance de ela conhecer bem você, já não é preciso ficar explicando a todo instante suas contradições, seus motivos, seus desejos. Economiza-se muito em palavras, os gestos falam por si. Quer coisa melhor do que poder ficar quieto ao lado de alguém, sem que nenhum dos dois se atrapalhe com isso?

    Longas relações conseguem atravessar a fronteira do estranhamento, um vira pátria do outro. Amizade com sexo também é um jeito legítimo de se relacionar, mesmo não sendo bem encarado pelos caçadores de emoções. Não é pela ansiedade que se mede a grandeza de um sentimento. Sentar, ambos, de frente pra lua, havendo lua, ou de frente pra chuva, havendo chuva, e juntos fazerem um brinde com as taças, contenham elas vinho ou café, a isso chama-se trégua. Uma relação calma entre duas pessoas que, sem se preocuparem em ser modernos ou eternos, fizeram um do outro seu lugar de repouso. Preguiça de voltar à ativa? Muitas vezes, é. Mas também, vá saber, pode ser amor.

    Martha Medeiros

    ResponderExcluir
  2. Edson, aqui é o Eliton, que trabalhava na HDI de Ribeirão quando você esteve por aqui, se lembra?
    Então, gostei do blog. Realmente muito criativo. A Marilene quem me apresentou. Espero que a gente ainda se encontre por aí... quem sabe...

    ResponderExcluir
  3. Grande amigo carioca Eliton! Saudades do Pinguim! Ainda não acredito que aquele chope é da Antártica.
    Se gostou continue visitando, vote nas pesquisas, sugira temas, proponha discussões... O Blog é democrático e pretende extender o campo das idéias.
    Um forte abraço e se Deus quiser, tomamos mais umas por aí!
    Forte abraço!

    ResponderExcluir