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segunda-feira, 18 de julho de 2011

O contrário do Amor


O contrário de bonito é feio, de rico é pobre, de preto é branco, isso se aprende antes de entrar na escola. Se você fizer uma enquete entre as crianças, ouvirá também que o contrário do amor é o ódio. Elas estão erradas. Faça uma enquete entre adultos e descubra a resposta certa: o contrário do amor não é o ódio, é a indiferença.

O que seria preferível, que a pessoa que você ama passasse a lhe odiar, ou que lhe fosse totalmente indiferente? Que perdesse o sono imaginando maneiras de fazer você se dar mal ou que dormisse feito um anjo a noite inteira, esquecido por completo da sua existência? O ódio é também uma maneira de se estar com alguém. Já a indiferença não aceita declarações ou reclamações: seu nome não consta mais do cadastro.

Para odiar alguém, precisamos reconhecer que esse alguém existe e que nos provoca sensações, por piores que sejam. Para odiar alguém, precisamos de um coração, ainda que frio, e raciocínio, ainda que doente. Para odiar alguém gastamos energia, neurônios e tempo. Odiar nos dá fios brancos no cabelo, rugas pela face e angústia no peito. Para odiar, necessitamos do objeto do ódio, necessitamos dele nem que seja para dedicar-lhe nosso rancor, nossa ira, nossa pouca sabedoria para entendê-lo e pouco humor para aturá-lo. O ódio, se tivesse uma cor, seria vermelho, tal qual a cor do amor.

Já para sermos indiferentes a alguém, precisamos do quê? De coisa alguma. A pessoa em questão pode saltar de bung-jump, assistir aula de fraque, ganhar um Oscar ou uma prisão perpétua, estamos nem aí. Não julgamos seus atos, não observamos seus modos, não testemunhamos sua existência. Ela não nos exige olhos, boca, coração, cérebro: nosso corpo ignora sua presença, e muito menos se dá conta de sua ausência. Não temos o número do telefone das pessoas para quem não ligamos. A indiferença, se tivesse uma cor, seria cor da água, cor do ar, cor de nada.

Uma criança nunca experimentou essa sensação: ou ela é muito amada, ou criticada pelo que apronta. Uma criança está sempre em uma das pontas da gangorra, adoração ou queixas, mas nunca é ignorada. Só bem mais tarde, quando necessitar de uma atenção que não seja materna ou paterna, é que descobrirá que o amor e o ódio habitam o mesmo universo, enquanto que a indiferença é um exílio no deserto.

3 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. O amor perguntou ao ódio:
    - Porque me odeias tanto?
    E o ódio respondeu:
    - Porque um dia te amei demais!



    Muitos dizem que o amor e o ódio andam juntos e que um não é o outro extremo da reta.

    O amor é caracterizado pela importância que a pessoa nos representa. Quem odeia é sinal que a pessoa continua importante (visto que não lhe sai dos pensamentos).

    Já que o ódio e o amor caminham juntos qual é a justificativa (ou explicação) para isto?

    Simples. Quando amamos nos abrimos, baixamos nossas defesas para a pessoa amada. Qualquer movimento negativo que esta pessoa fizer vai machucar, pois não estamos esperando. Aí nos sentimos ofendidos. O que é ferido é o nosso orgulho. Aí gera uma baita confusão. Abafamos o amor com o sentimento de orgulho ferido.

    Na maior parte das vezes em que o ódio teve origem no amor a pessoa se manteve esperançosa de um reencontro. Nos recusamos a oferecer o amor como oferecíamos com medo de nos ferir novamente mas ao mesmo tempo mantemos a pessoa bem perto do mesmo jeito. Ao menor sinal de que as coisas podem voltar a ser o que eram antes não perdemos tempo em aceitar.

    Mas já que o ódio não é o contrário do amor, qual é o contrário do amor? Se amor é atenção, o contrário é a indiferença. A pessoa passa a não significar nada. Simplesmente apagamos a pessoa de nossa vida e ela passa a ser como um estranho. Não significa mais nada.

    Enquanto estivermos incomodados com a pessoa significa que estamos mantendo esta pessoa bem próxima. A partir do momento em que não nos importamos mais nos distanciamos.

    Particulamente eu acho bem mais triste a indiferença do que o ódio.

    Enfim meu amigo, amor e ódio caminham de mãos dadas.

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  3. Muito verdadeiro este texto da Martha e eu já tinha aprendido sobre isso há algum tempo, que pior que o ódio é a indiferença. Algumas mulheres já deve ter vivido a situação que vou descrever agora, seu namorado ou marido faz algo que te deixa muito brava e você começa a discutir com ele, mas ele simplesmente não fala nada, fica indiferente, aí a mulher fica mais brava ainda porque ela quer ver a reação dele, seja de concordar ou discordar da situação, mas ficar calado isso não. Eu já vivi isso de ser tratada com indiferença numa dicussão amorosa, amadureci e acho que hoje eu não chegaria a este ponto com a pessoa amada. Sempre me policiei muito para não tratar ninguém com indiferença, principalmente quando ainda há amor da outra parte. Tento sempre dar a atenção, responder mensagens, telefonemas, claro que de uma forma bem sucinta para não dar mais esperanças, até que chega o momento que ela percebe que acabou. Então não existirá mais amor, nem ódio e a indiferença não precisou entrar......... :-)

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